domingo, 3 de fevereiro de 2013
Leitura actualizada
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A minha lista
- Done Norwegian Wood. Civilização Editora, 2004.
- Sputnik, meu amor. Casa das Letras, 2005. OBS.: esgotado, não consta mais no site da editora
- Done Kafka à beira-mar. Casa das Letras, 2006.
- Crónica do pássaro de corda. Casa das Letras, 2006.
- Underground - O atentado de Tóquio e a mentalidade japonesa.Tinta da China, 2006.
- Done Em busca do Carneiro Selvagem. Casa das Letras, 2007.
- Done Dança, dança, dança. Casa das Letras, 2007.
- DoneA rapariga que inventou um sonho . Casa das Letras, 2008.
- Done After Dark - Os passageiros da noite. Casa das Letras, 2008.
- Done A sul da fronteira, a oeste do sol . Casa das Letras, 2009.
- Done O elefante evapora-se. Casa das Letras, 2010.
- Done Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo. Casa das Letras, 2009.
- Em Execução 1Q84, vol. 1. Casa das Letras.
- Estacionado na prateleira 1Q84, vol. 2. Casa das Letras
- Estacionado na prateleira 1Q84, vol. 3. Casa das Letras
sábado, 29 de setembro de 2012
(dos sonhos…)
Foi então que acordei. A meu lado dormia o Homem de Gelo. Ele não faz barulho a dormir, como acontece com algo congelado e sem vida. Apesar disso, amo-o. Começo a chorar; as minhas lágrimas caem-me pela cara e molham as minhas faces. Ele acorda e aperta-me com força nos seus braços. «Tive um sonho mau», digo-lhe. Ele abana a cabeça devagarinho no escuro. «Foi apenas um sonho», diz-me em jeito de consolação. «Os sonhos vêm do passado, não do futuro. Não deixes que eles te dominem – deves ser tu a dominá-los. Compreendes?»
O Homem de Gelo, “A Rapariga Que Inventou Um Sonho” – Haruki Murakami
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Fim da solidão
Ao casar com ela, chegaram ao fim os dias de solidão na vida de Tony Takitani. Quando acordava de manhã, a primeira coisa que fazia era procurar com os olhos por ela. Assim que a via, adormecia ao seu lado, sossegava então. Quando acontecia ela não estar ali, ficava inquieto e não descansava enquanto não percorria a casa toda à procura dela. Constituía uma sensação estranha, saber que não estava sozinho. O simples facto de ter passado a estar acompanhado perseguia-o como uma sombra e fazia-o recear a eventualidade de voltar a ficar só. Que fazer? Por vezes, esse medo levava a que acordasse envolto em suores frios. A cena repetiu-se no decorrer dos três primeiros meses de casamento. À medida que ele se habituou à sua nova vida e que a possibilidade de a mulher desaparecer começou a diminuir, os receios dissiparam-se aos poucos. Por fim, perdeu o medo e atirou-se de cabeça, decidido a gozar a sua nova e pacata vida em clima de felicidade conjugal.
Tony Takitani, “A Rapariga Que Inventou Um Sonho” – Haruki Murakami
segunda-feira, 9 de abril de 2012
(Paciência de) Jó
Agora mais a sério.
O meu fim-de-semana alargado iniciou-se na quinta-feira. Por essa altura soltei as mãos das três tarefas de que me incumbi, na (vã) esperança de que o meu pedido de apoio/assistência me fosse concedido. no entanto, a pouco tempo da data necessária, ainda nada sucedeu. Admirada? Não…
Cata-ventos. Quando a seta aponta para qualquer lado, desde que pareça favorável, todos seguem o vento. Quando o vento dá trabalho, ora porque nos despenteia, ora porque nos tolda a forma (ou ausência) do pensamento, desviamo-nos da corrente.
Mas tratava-se do aniversário da cara-metade e prometi não tocar no portátil nesse dia, e (quase) consegui cumprir (pelo menos não foi a trabalho…).
O dia começou com um atraso espectacular, acabei por ter de fazer de tarde o que deveria ter feito de manhã, o que obrigou a pobre gata a estender o período de jejum mais do que aquilo que eu esperava. No final, a operação correu bem e ela está como não a via há imenso tempo.
Os planos para o jantar foram totalmente remodelados, remarcados para o dia seguinte (vai um…).
Chegou a sexta-feira (que mais parecia Domingo) e lá se jantou, finalmente, num contexto já muito adulterado do inicialmente proposto (vão dois…).
Sábado. Parece que ninguém nos deixa dormir em sossego. Malditos telemóveis e mais quem os inventou! Tarde de compras, jantar tardio… (vão três!).
I’m (not) so sorry, but… a porra do Domingo é para mim (nós)!
Dormir até que o corpo doa. Quando dói, é sinal de que são horas de alimentar o corpo. A seguir aterro no sofá e alimento a alma. Desta vez, “A Rapariga Que Inventou Um Sonho”, Murakami. Pequenos contos, entrecortados pelo doce dormitar de Domingo, entre um gole de água fresca e uma carícia felina.
Rápido despertar, já a duas, para uma espécie de almoço tardio. Para a tarde reservou-se um lift na cozinha. Valeu a pena, sem qualquer dúvida.
Depois… as coisas do costume. Um jantar ainda mais tardio do que o almoço e finalmente o sofá, acompanhado do portátil, da manta quente, do GTD, a cara-metade, o quarteto felino e… uma aranha a subir-me pelas pernas???
segunda-feira, 12 de março de 2012
Norwegian Wood
“And when I awoke, I was alone, this bird had flown
So I lit a fire, isn't it good, norwegian wood”
Poderia mais uma vez dizer que gostei, que devorei. Mas não chega…
Não importa muito a sequência pela qual Murakami os escreveu. Importa que em cada um me surpreende.
Este, no entanto, destacou-se de todos os outros que li. Não me deu o absurdo surreal do nosso quotidiano. Em vez disso deu-me acesso a memórias pessoais esquecidas algures dentro de mim. A perda. As perdas. A partida de alguém que não quer mais ficar.
Parei a leitura um-sem número de vezes, para recompor a timeline que fazia a ponte leitura-memória.
As recordações atropelavam-se, fiquei várias vezes presa a memórias adjacentes a cada partida, a cada perda.
Há muito tempo que não lia um livro que me fizesse rir, sorrir, excitar, chorar, pensar…
E ademais, gosto da forma como o autor consegue (sempre) mesclar as suas histórias com excelentes ”bandas sonoras” e mais ainda, o modo como sempre arranja forma de pelo menos um gato se enroscar “em quem” lê.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Go, Smoo! Go!
E ainda não comecei a ler o volume 1 do 1Q84...
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Querida: o que te apetece almoçar?
Todos os dias o dilema é o mesmo: o que vou fazer para o almoço? O que vou fazer para o jantar?
Esses dias terminaram!
Hoje para o almoço estou a pensar fazer Coxa depilada bronzeada e para o jantar, Mexilhão na minissaia.
(“Passou-se” – pensarão vocês…)
Não, não me passei. São receitas genuínas de um livrinho impecável (OBRIGADA MARIE!!!).
Adorei, a sério.
A minha passagem preferida:
“Ao saber que este livro ia ser feito, alguém comentou com indignação: «Mas a autodiscriminação já chegou aí? Então os gays e as lésbicas não comem o mesmo que os ‘heteros’? Precisam de receitas só para eles?» (…) Entrando no jogo, a mesma pessoa, que é heterossexual, acrescentava: «A não ser no caso de se comerem uns aos outros ao jantar e em cima da mesa, aí já é diferente.»”.
Adorei o livrinho, Marie. E o paninho… ui! É a minha cara, mesmo.
(Dados da coisa:
Título: Receitas de sedução para Gays e Lésbicas
Autor: Bruno Horta
Editora: www.ramiroleao.com)
domingo, 4 de abril de 2010
O silêncio nem sempre reflecte algo menos bom. É apenas isso. Silêncio...
… e é tão, mas tão irritante quando nos bombardeiam com questões. “Porque estás tão calada? Não pareces tu…”, “O que se passa?”.
A verdade é que não me apetece. Não me apetece comunicar. Quero apenas estar em silêncio. É essa a minha natureza. Calo-me e observo. Observo e penso. Penso e tiro conclusões.
Pode parecer estranha a forma como por vezes me se(i)nto a observar, mas é isso que faço.
E depois há as gentes. Cada vez tenho menos paciência para as gentes. Estou a tornar-me intolerante face às gentes e desisti de lhes mostrar o meu ponto de vista. Pérolas a porcos… Em vez disso, sorrio e viro as costas.
E há mais. Mais coisas às quais estou a desenvolver defesas naturais.
Ghflglgdphqwh qdr vrx qrupdo…
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Venha o próximo!
Haruki Murakami...
domingo, 20 de dezembro de 2009
Véspera de Natal... 2 anos depois
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Leitura em dia
Izumi descobriu a minha história com a sua prima no fim de Janeiro, pouco depois de eu ter feito dezoito anos. Em Fevereiro passei com êxito os meus exames de acesso à universidade e, no final de Março, abandonei a cidade e fui para Tóquio. (...)No shinkansen, o comboio-bala a caminho de Tóquio, enquanto observava distraidamente a paisagem pela janela, pus-me a reflectir sobre mim mesmo - a pessoa que eu era. Fixei as minhas mãos pousadas sobre os joelhos e o meu rosto reflectido na vidraça. Quem é este tipo, afinal? Sempre gostava de saber. Pela primeira vez na minha vida, senti por mim uma profunda aversão. «Como pudeste fazer uma coisa destas?» Mas conhecia a resposta bem de mais. E sabia que se me voltasse a encontrar nas mesmas circunstâncias, voltaria a fazer o mesmo. Que é como quem diz, mentiria a Izumi e voltaria a ir para a cama com a prima dela. Mesmo que isso significasse feri-la cruelmente. Apesar de ser duro reconhecê-lo, era a pura verdade.(...)Enquanto a minha mulher estava grávida, tive algumas aventuras, mas nada sério. Nunca fui para a cama com uma mulher mais do que uma ou duas vezes. Pronto, confesso, três vezes. Para dizer a verdade, nem sequer tinha consciência clara de estar a ser infiel e Yukiko. Só queria fazer sexo com alguém, sem consequências, e com as minhas parceiras passava-se a mesmíssima coisa. (...)
De facto, faz-me lembrar algumas pessoas...
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Gosto de ler....

Não entenderam, não é?sábado, 28 de março de 2009
Versões actualizadas IV
sexta-feira, 27 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
Versões actualizadas I










sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Malefícios do tabaco
"Após a performance no teatro operatório, seguia-se a parada, que é como quem diz, a «visita» aos doentes. A minha enfermaria era de mulheres. Apendicites, colecistes, peritonites, enfim, doenças abdominais, em que o cirurgião deixava a marca, em barrigas diversas, novas e velhas, gordas e magras. A sua lavoura. Houve um médico americano, ilibado pelo Alzheimer, que num par de doentes a quem operou, deixou gravadas a navalha, na barriga da doente, as suas iniciais, como apaixonado na casca de uma árvore.trecho de, Sinto Muito - Nuno Lobo Antunes
Imagem retirada da internet
domingo, 25 de janeiro de 2009
Leitura em dia

Ontem comecei a lê-lo. Bom, tecnicamente foi hoje. Seriam umas 4:30 da manhã quando me deitei e peguei nele. Primeiras impressões: passei o prefácio, a introdução e avancei uns quantos, não direi capítulos, mas cadernos, pois cada história ocupa no máximo três páginas.
Já vejo alguns a torcer o nariz. Eu também o torceria se estivesse desse lado a ler isto mesmo. Quem me conhece razoavelmente bem sabe que não sou dada a tragédias e "ais", a romântismos e suspiros. Mas do que já li do livro, posso dizer que:
- Não é nenhuma narrativa entediante de métodos e procedimentos médicos que ouvi um dia alguém atirar ao ar;
- Li uma escrita tão clara e ao mesmo tempo tão pormenorizada, que dá ao livro uma dualidade específica: a leitura é leve e pesada... Leve pela simplicidade da escrita, pesada pelos sentimentos de sofrimento, as perdas, as vitórias.
É...
Estou a gostar. Boa dica, Larose!
domingo, 21 de dezembro de 2008
Sinto muito...
Na véspera tinha passado praticamente o dia todo fora, pois fui para Setúbal com a C. e de tarde acabei por ficar na loja.
Por não ter estado, deixaram-me um aviso no correio, para ir à estação levantar um pacote.
Eu já sabia que o pacote vinha da larose, tinha-me prometido uns vales de descontos para a comida do meu bichano, visto ela não os utilizar.
"Mas espera aí... pacote?? A menos que sejam 500 vales de desconto, haviam de caber na caixa de correio..."
De qualquer das formas, tinha de ir para aquelas bandas comprar fusíveis para arranjar o aquecedor por isso não faria qualquer desvio para ir aos correios, juntei as duas tarefas (sim, nós somos daquelas que tentamos arranjar antes de descartar e comprar novo. Tentamos poupar o planeta... E já agora: aquecedor a bombar!! Somos ou não miúdas espectaculares?)
Entrei na estação, tirei senha: 615. Avanço para dentro e olho o placard: 564!
Só podem estar a brincar... Não cabia tanta gente cá dentro.
Tomo atenção ao placard e tente cuscar as senhas de quem se encontra por perto e, estava mesmo certo! Tinha mais de 50 pessoas à minha frente.
"Eu mato-te, larose!!!!"
Conto até 10, saio para fumar um cigarro e vou espreitando e a porcaria do placard nada de avançar. Foi então que entendi porque estava uma fulana cá fora, sentadinha no chão a apanhar sol, qual osga em manhã de inverno.
Só vejo pessoas a entrar e nenhuma a sair já atendida. Os que saíam era para fumar, ou atender o telemóvel.
Depois de dois cigarros tornei a entrar e estoicamente aguentei até à minha vez.
Várias vezes me passou pela cabeça, como iria ralhar à larose, por me enviar os vales de desconto em correio registado, quando mos poderiam ter enfiado na caixa de correio e em vez de estar ali na estação uma hora e 10 minutos, poderia ter estado na esplanada a beber um café e morder o ambiente.
Tentei abstrair-me e eis que dou comigo a captar sinais de todos os lados.
Foi engraçado, senão reparem:
- atrás de mim e à minha direita, parecia a sala de espera de um Centro de Saúde. Eram os bicos de papagaio de uma, as insónias da outra e mais (pseudo-)doenças que não consigo reproduzir.
- no meio das doenças, crónicas ou não, reais ou nem por isso, entra de rompante um chinês, que meio atrapalhado olha a sua senha, olha o placard e segue disparado em direcção ao balcão 3.
- Tem de tirar a senha A; a B não serve.
Nessa altura, o chinês saca da outra mão, onde (tcharannn) tem a senha A...
- Este número já foi chamado há 28 número satrás...
Não esão bem a ver... O que se passou em seguida foi absolutamente hilariante. No balcão ao lado, a funcionária, e como perguntou e ninguém se opôs, começou a atendê-lo enquanto a rapariga que estava ao balcão ía preenchendo os registos.
Ele lá o entregou, a funcionária olhou para o passaporte, olhou para ele e perguntou: "Esta fotografia é sua?" - "Amigo. Amigo." Pronto, ok, já entendemos. A funcionária continua à procura dos elementos de que necessita, vê o nome no aviso dos correios, encontra esse mesmo nome no passaporte, mas...-Dê-me então o passaporte...
- Onde está a assinatura do seu amigo aqui no passaporte? Onde é que vocês assinam?Dele só ouviamos: "amigo, amigo".
Já toda a estação ria, porque para ouvir um episódio destes, até os bicos de papagaio se calaram todos.
Lá a funcionária o convenceu de qualquer coisa que já nem me recordo.
Acabou de atender a rapariga q tinha ao balcão, e o placard começo, devagarinho, a avançar.
Umas quantas senhas mais à frente, avançou uma mocinha plas minhas idades, com uma mão cheia de envelopes para expedir.
Às tantas, ouço a mesma funcionária dizer-lhe:
Sem comentários...- Não é por ir enviar tudo para um apartado que não tem de pagar... Só se fosse enviar para uma remessa livre...
"aiii larose, larose...."
Uns poucos números a seguir, o 615!! Oba! C'est moi!!
Passam-me para a mão um envelope de todo o tamanho, braquinho e todo cravejado de selos (fazem ideia de há quanto tempo eu não via um selo?? Impressionante...)
Agarrei no envelope, agarrei em mim e fui para casa.
Depois de largar mala, botas e casaco, sentei à secretária e fui abrindo o envelope. Despejo-o na superfície da secretáia.
Vejo deslizar a revistinha Miau, um desdobrável cheio de talões de desconto e um livro.
Depois de 70 minutos a penar na estação dos correios, ri-me com o título...
Sei que sentes e estás perdoada! Adorei!









































