
Imagem daqui.
Às vezes dou comigo a pensar: “e se…?”.
- E se o quê?
Se tudo. E se eu tivesse feito outras escolhas, há 25, 20, 10 e 5 anos atrás?
Não costumo arrepender-me das minhas escolhas, mas isso não impede que de quando a quando me questione a mim própria.
Sim, ultimamente faço muito disso.
Questiono-me…
Duvido-“me”…
Discuto-“me”…
Maltrato-me…
É intencional? – Claro que não.
É programado? – Esta questão é assim muito ao lado…
Já desisti de procurar respostas. Agora almejo encontrar alguma paz. Aquele tipo de paz que apenas grandes paragens nos dão. Daquelas paragens em que finalmente conseguimos ouvir os nossos próprios pensamentos, em que finalmente começamos a reparar de novo em nós, a retomar a auto-atenção que, por um motivo ou outro,acabámos por desleixar.
Ainda não me reencontrei. Mas aos poucos lá me encontrarei, repescarei todos os pedaços e tentarei recolar-me de novo.
E no meio de tudo isto, e se tivesse feito diferente?
Roubei isto à Frutinha, que roubou a outra pessoa. E como muito bem diz o Povo: “Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão…”
A negrito/amarelo estão as coisas que já fiz/tenho
Tenho menos de 1.65m
Tenho uma cicatriz (até tenho mais…)
Gostava que o meu cabelo tivesse uma cor diferente.
Já pintei o cabelo.
Tenho uma tatuagem.
Eu nunca usei suspensórios.
Um estranho já me disse que era bonito/a.
Tenho mais de 2 piercings.
Tenho sardas.
Já jurei algo aos meus pais.
Já fugi de casa.
Eu tenho irmãos.
Quero ter filhos no futuro.
Tenho um emprego. (Acho que é um trabalho, mesmo…)
Já adormeci numa aula.
Faço (fazia) quase sempre os trabalhos de casa
Já estive no quadro de honra da escola.
Já disse "LOL" durante uma conversa.
Ainda choro a ver filmes da Disney.
Já chorei de tanto rir.
Já rasguei as calças em público.
Tenho uma doença de nascença.
Já tive que levar pontos.
Já parti um osso.
Já fiz uma cirurgia.
Já andei de avião.
Já fui a Itália.
Já fui à América.
Já fui ao México.
Já fui ao Japão.
Já fui à Suíça.
Já fui a África.
Já me perdi na minha própria cidade.
Já fui à rua de pijama.
Dei um pontapé a um rapaz onde dói mesmo.
Estive num casino.
Gostava de jogar verdade ou consequência.
Já tive um acidente de carro.
Já fiz ski.
Já entrei numa peça de teatro. (Produzi o guarda-roupa, conta?)
Já me sentei num telhado à noite.
Costumo pregar partidas às pessoas.
Já andei de táxi.
Já comi sushi. (e fiz caretas!)
Já tive um encontro às cegas.
Sinto falta de alguém neste momento.
Já beijei uma pessoa com mais 8 anos do que eu.
Já me divorciei. (Separei, vai dar no mesmo…)
Já gostei de alguém que não sentia o mesmo por mim.
Já disse a alguém que o/a amava, quando não era verdade.
Já disse a alguém que o/a odiava quando na verdade o/a amava.
Já tive uma paixão por alguém do mesmo sexo.
Já me apaixonei por um/a professor/a.
Já me beijaram à chuva.
Já beijei um estranho.
Fiz algo que prometi não fazer.
Já saí sem os meus pais saberem.
Já menti aos meus pais acerca do sítio onde estava.
Tenho um segredo que ninguém pode saber.
Já fiz batota.
Copiei num teste.
Passei um semáforo vermelho. (Não era eu que ía a conduzir, mas o facto é que passei!)
Já fui suspenso na escola.
Já testemunhei um crime.
Estive preso/a.
Já consumi álcool.
Bebo regularmente.
Já desmaiei de tanto beber.
Estive bêbado/a pelo menos uma vez nos últimos 6 meses.
Já fumei ganza.
Já tomei drogas fortes.
Consigo engolir 5 comprimidos de uma vez sem problemas.
Já me diagnosticaram uma depressão.
Tenho problemas de ansiedade diagnosticados.
Grito com os outros quando estou enervado/a.
Tomo anti-depressivos.
Sofro/sofri de anorexia ou bulimia.
Já me aleijei de propósito.
Já acordei a chorar.
Tenho medo de morrer.
Odeio funerais.
Já vi alguém morrer.
Alguém que me era querido suicidou-se.
Já pensei em suicidar-me.
Tenho pelo menos 5 CD’s.
Tenho um ipod ou um mp3.
Sou obcecada por anime.
Já comprei alguma coisa pela Net.
Canto bem.
Já roubei um tabuleiro de um restaurante de fast food.
Eu vejo o noticiário.
Não mato insectos.
Canto no duche.
Já fingi estar doente para não ir à escola.
Acedo à net pelo meu telemóvel.
Ando no ginásio.
Sou fanático/a por desporto.
Cozinho bem. (O meu bacalhau à Braz sem ovo, é um sucesso!)
Já fui de pijama para a escola.
Sou capaz de disparar uma arma.
Amo amar.
Eu ja exkrevi axim.
Eu riu-me das minhas próprias piadas.
Todas as semanas como fast food.
Acredito em espíritos.
Já fui para um teste sem estudar e tive boa nota.
Sou muito sensível.
Adoro chocolate branco.
Tenho o hábito de roer as unhas.
Sou bom/a a decorar nomes.
Associo músicas a pessoas/momentos.
Se sinto a minha cabeça a funcionar e a minha paz de espírito de volta? Não.
Se tenho descansado? Sim.
Se tenho dormido? Sem sombra de dúvida!
Que têm então estes dias de diferente dos outros?
O LOCAL!
O que tenho feito então?
Tenho redescoberto o poder “milagroso” de um sem-fim de produtos domésticos, que me têm dado algum (friso “algum!”) prazer nas tarefas domésticas.
Tenho paralisado com o cerco das vespas, tenho a roupa para lavar em dia, tenho incontáveis cestos de roupa para engomar, tenho algumas ideias para costurar, gatos para mimar, receitas para experimentar, álbuns para ouvir, livros para ler, sentimentos para redescobrir, caveiras para me assombrar, enfeites de natal para retirar, gripe para curar, …
Os dias estão a passar devagar, mas ao contrário do que é hábito, tenho-me mostrado serena, como se protegida de uma camada repelente de stress. Como se naquela noite tivesse despido uma fatiota antes de entrar em casa, e tivesse deixado todos os problemas e inquietações nos bolsos.
Estes momentos de calma lucidez não vão durar para sempre, estou ciente disso. Mas durem o que durarem, atenuam de certa forma a impotência dos dias que vou sentindo, a amargura de remar contra uma maré que não é a minha.
Vou, por isso, deixar correr estes dias, sem planos, sem perspectivas definidas, que me possam levar à frustração, àqueles níveis lá tão em baixo que dificilmente conseguimos trepar.
Ontem, sem qualquer motivo aparente, lembrei-me de puxar de um assunto no qual remexo tão poucas vezes. Depois de ter começado, não me foi permitido parar, antes pelo contrário. As palavras foram-me puxadas a ferros e sei, bem que sei!, que no meu triste desenrolar, magoei alguém. Alguém que não o merecia.
“Entender o porquê das mágoas antigas é tão difícil em relação aos questionamentos dinâmicos, quanto às reflexões sérias que fazemos. Se você rebelar-se contra essas coisas, encare isso como algo natural e necessário. Você deve fazer essas perguntas a si mesma para evitar ferir outras pessoas que se sentirão inseguras se forem confrontadas por esses assuntos.”
Há monstrinhos difíceis de morrer, de desaparecer, de qualquer coisa excepto permanecerem eternamente na cabeça de pobres almas que, como eu, não lhes conseguem escapar, apenas esconder durante escassos pedaços de tempo.
Não sei. Não sei mesmo.
Agora… volta a dar ao assunto: não há! É continuar o relato, apresentar questões e esperar que do outro lado não nos julguem mal.
É aqui que normalmente as coisas se complicam.
Quando finalmente nos apercebemos daquilo que realmente queremos da nossa vida e nos sentamos a pensar se será tarde demais…
Acorda-se a pensar que será mais um dia, como muitos outros antes deste. Depois a sucessão de eventos vai mudando a forma como encaramos esse já não tão novo dia, e sentimos os pés a afundar-se numa imensidão de coisas, às quais somos totalmente alheios e das quais tencionamos permanecer totalmente alheados.
E após a total submersão dos pés, eis que as pernas continuam a ser arrastadas para o fundo, até que, quando as coisas alheias nos tomam de assalto as coxas, batemos com os pés no fundo e gritamos “Basta!”.
Na manhã seguinte as coisas serão as nossas. Não necessariamente melhores, mas pelo menos sabemos em que nos estamos a afundar. Ou no que boiamos ou mesmo de onde estamos a levantar voo.
E depois há aquelas manhãs, em que ao acordar, reparamos que o nosso mundo está completamente de pernas para o ar, e o cenário não se apresenta necessariamente mau. Apenas… diferente.
E encarar essas diferenças coloca-nos em posição de questionar as nossas coisas, de forma como nunca antes fizéramos.
Dá que pensar, esta coisa da Vida…
Existem momentos na vida, em que, sem qualquer razão aparente, fazemos algo que não nos passaria pela cabeça fazer em qualquer outro dia.
Now and then, tenho destes momentos. Poucos, raros, e mais raras ainda as situações em que o caso era desesperado ou perdido.
Parecem ocorrer ciclicamente. Aparentemente nunca me conseguirei livrar destes ciclos…
Como se a diferença entre ser e não ser, aceitar ou recusar, pudesse ditar regras, impelir-nos ou travar-nos, como se não tivéssemos vontade própria mas antes uma maré que nos suga. Alma e mente. Que o corpo, esse, permanece. Sem grande uso. Ou proveito…
Não me arrependi em vez alguma, de algo que fiz, sem razão aparente. Algumas situações seriam escusadas, obviamente, mas no geral, foram boas escolhas, guiadas por qualquer força que me fez escolher aquela opção, em vez da opção do costume.
Ai se eu pudesse! Se eu pudesse nadar, ninguém me conseguiria travar.
Não gosto muito de utilizar a palavra “amálgama”, mas talvez seja a que melhor se aplica ao meu estado de alma, a tudo o que assimilo(ei), a tudo o que giro, e a tudo o que crio. Uma verdadeira amálgama, para a qual busco um diferente nome.
Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repúdio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.
Fernando Pessoa, in 'Para a Explicação da Heteronímia'
Sei que não devo posso ficar por aqui. “Parar é morrer” é um cliché demasiado vasto, há por aí algures algo mais a que sei que posso jogar a mão. Talvez seja uma porta ainda por abrir, talvez esteja já no alpendre, a mão a lançar-se ao encontro da maçaneta. Talvez. Mas não o vejo e talvez esteja bem na minha frente.
Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
De pouco ou nada me serve auto-carpir dores que ainda não tenho, mas na incerteza da sua chegada, é prudente que me anteceda. Precavida. Olhos na nuca. Visão ampla.
Whatever
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