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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cuida-a e respeita-a

Tenho para mim, que a Amizade, quando pura e sincera, não se acanha, não se envergonha, não se extingue.
Li ontem este post, e desde então tenho estado a pensar nisso.
Nunca fui uma rapariga "popular" no que diz respeito a amizades. As pessoas fugiam mesmo de mim, sem sequer tentarem conhecer-me, por mais ao de leve que fosse.
Penso que isso se devesse em parte à minha maneira de vestir (que mudou), de estar (que mantenho), de pensar (que cada vez anda melhor!).
Sempre fui "a diferente". E bem sabemos como as pessoas reagem a tudo quanto é diferente.
Os meus amigos (aqueles que considero Amigos), sempre se contaram pelos dedos de uma mão. Mais não são necessários. Tudo o que não me caiba numa mão, são colegas, são conhecidos.
Não são o tipo de pessoas que nos estendem a mão quando necessitamos. Nem que nos ofereçam o ombro quando notam quando algo não está bem. Nada são além de pessoas com as quais interagimos ao longo do dia, sem grandes laços.
Da mão de amigos de outros tempos, resta apenas um. Dois partiram deste mundo; a distância física e a inexistência de telemóveis ditaram o arrefecer da amizade. Quando agora nos cruzamos, vejo que não temos mais nada em comum, força-se conversa de circunstância, quando se está de facto a pensar "OK, termina essa frase para eu bazar...".
E uma, finalizada inesperadamente. Daqueles finais que lembram um filme empolgante com um final às três pancadas, devido a cortes no orçamento.
Da noite para o dia, após ter casado, ela queimou a corda que nos uniu durante os anos da adolescência, que atravessámos como gémeas siamesas. Inseparáveis. Poços de segredos e congeminações. A dupla de "terror" de alguns professores. As miradas de longe com ar desconfiado.
Até hoje não obtive respostas. Se foi ela quem queimou a corda, se o marido, por não me achar "boa companhia". Se for a segunda, ainda a compreendo menos...
Que ela viva em paz com a sua consciência, em virtude de uma opção ou de uma submissão. Eu e a minha consciência dormimos bem a noite toda. Não lhe quero mal por me "rejeitar", mas lamento os dias em que precisei dela e não a tinha.
Já me habituei...
Com a mão quase vazia, nova cidade, nova escola... novos amigos. Embora já não tão fortes. É verdade que me fechei em mim própria. Se já antes era difícil chegar até mim, estas mudanças cobriram a minha carapaça com mais uma grossa camada.
Olhando concretamente para os últimos 18 anos, continuo apenas com uma mão de amigos, embora sejam outros.
Além do único que me resta de outros tempos, os "novos" sinto-os como velhos. Velhos amigos.
Aqueles que me estendem de imediato a mão quando me vêem cair, aqueles que me olham nos olhos e sabem que o momento é de me dar colo, aqueles que entendem quando quero estar só e sofrer sózinha, os que sabem que um sorriso pode estar a esconder uma grossa lágrima. Mas também aqueles que sabem que quando posso, tudo dou, tudo invisto nessa mão.
Alguns perguntam-me porque não aplico em mim, os bons conselhos que dou (também me saem dos maus, acreditem!). Talvez porque os amo mais do que a mim própria. Talvez porque os queira ver bem. Talvez porque sei algo que não sabem...
Dei por mim embalada numa nova realidade. Sinais dos tempos, talvez...
Encontrei amigos onde julgava não ser possível existirem. É mais fácil dar um pouco mais de mim assim, mas também me torna mais vulnerável. É das fraquezas e das forças que as Amizades se alimentam, crescem.
Deixo que me "despejem" frustrações e dores, em troca dou o meu melhor sorriso, e se tiver (os bolsos são pequenos...), um conselho ou palavra de conforto.
Tenho na minha mão, mais Amigos que Amigas. Tenho mais em comum com o sexo masculino, o que me faz compreender, onde outros(as) apenas conseguem ver "feitios" ou "defeito de género".
Mesmo as amizades que fogem deixam marcas. Umas na pele, outras na alma. Mas todas boas de recordar.
A vida vai mudando(-nos), eu vou mudando, as Amizades também.
Sei agora que não se trata apenas de manutenção, mas de vontade mútua.
Dos que cabem na minha mão, uns caem aqui a ler, outros não. Os que vão ler vão chamar-me lamechas, bem sei disso. Mas sei também que sabem onde quero chegar.
Um dia o meu irmão disse-me: "A Amizade é a mais bela flor plantada pela Humanidade. Cuida-a e respeita-a."
É o que tento fazer...

8 comentários:

  1. Gostei, acima de tudo porque me revejo em algumas dessas coisas ;)
    Poucos amigos, mas bons amigos, é o que interessa :D

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  2. deixa-a ser um pouquito lamechas....ás vezes faz bem...

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  3. A amizade é sem dúvida um grande tesouro! Adorei a escrita oh Lamechinhas :)
    Kiss

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  4. LOL

    Não abusem....
    Sou lamechas mas sou fixe (ou não?).

    Bah!

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  5. e quem disse q ser lamechas era sinónimo de não ser fixi ??

    jokinhas

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